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Verônica: a s d f g …
Não digito direito, eu vivo catando milho. Azar o meu que não quis cursar datilografia. Eu não via muita função naquilo: era 1993 e eu já era agarrado com um computador, o PC XT, que tinha um editor de texto trisavô do Word – o WordStar, que dava pra apagar os erros sem recorrer ao lápis-borracha, e não era preciso usar papel carbono, nem stencil e nem mimeógrafo. Telinha de fósforo verde. Tudo era melhor que a máquina de escrever.
Verônica era/é o nome da professora datilógrafa. Muito tímida. Não me lembro do som da voz. Usava sempre blusas de lã: devia ser friorenta. Naquele mesmo ano eu percebi que o barulho dos tipos batendo no papel iam diminuindo, os alunos minguando até o dia em que ela abandonou o ponto comercial sem muito alarde. Eu a vi, cabisbaixa, entrando na sua casa de esquina, com muitas plantas na garagem, dando um ar meio sombrio. Aquela foi a última vez. Para mim, ela simboliza o fim de uma era: aquela do bilhetinho e do telefone, para a qual não voltaremos mais.
Add comment 21/04/2008



